por Tatiana Bevilacqua 

A troca que a cia. víÇeras realizou com a Cia. Brasileira de Teatro foi extremamente frutífera. A primeira surpresa foi chegar à oficina que estava sendo proposta pelo grupo e ter praticamente um encontro exclusivo: além dxs integrantes da víÇeras, somente outras duas pessoas compareceram. Entre os exercícios de narração que Marcio Abreu propôs, aconteceram muitos diálogos sobre a nossa cidade; um escambo de impressões e olhares. Ora captávamos nossa cidade sob as lentes pelas quais nossos visitantes a enxergavam; ora contaminávamos a Cia. Brasileira com as nossas visões. Longe de termos chegado a qualquer impressão totalizante, contamos e recontamos imagens e situações reais ou imaginadas da capital brasileira. Os exercícios que fizemos juntxs foram de uma simplicidade tão grande que se tornaram complexos. Algumas horas divertidas puderam ser compartilhadas. Horas em que, mais uma vez, pudemos misturar em harmonia perfeita trabalho e desfrute. Para nos lembrarmos de que trabalhar não é sofrer: quem inventou isso não pôde reconhecer a si mesmx no seu fazer. Naquelas horas compartilhadas, pude. 

:)




cia. víÇeras apresenta:
"Godô Chegô!"

02 a 04/08 - centro cultural de ceilândia (estação ceilândia norte) 
08 a 11/08 - casa de cultura do guará (próximo a estação da feira do guará e do ginásio CAVE)
16 a 18/08 - funarte (área externa)

distrito federal - 2013
sempre às 17h33
ENTRADA FRANCA

ficha técnica:
direção: pedro mesquita
elenco: daniela diniz, kyll nunes, marta antunes, roberto dagô, tatiana bevilacqua
trilha original: hugo carvalho
direção: núcleo de mídias cia. víÇeras e rafael toscano
fotografia e edição: rafael toscano
trilha sonora e mixagem de som: hugo carvalho




No dia 20 de junho, quinta-feira, saímos Daniela Diniz, Diego Rodrigues, Jessica Cardoso, Marcia Regina, Roberto Dagô e Tatiana Bevilacqua para somar nossas vozes e corpos na semana de manifestações históricas que aconteciam Brasil afora. Chegamos lá com os cartazes: "Escolas e hospitais padrão fifa!", "O líder é a multidão!" e "Eles dizem representação, nós dizemos experimentação!". 

No dia 20 de junho, quinta-feira, saímos Daniela Diniz, Diego Rodrigues, Jessica Cardoso, Marcia Regina, Roberto Dagô e Tatiana Bevilacqua para somar nossas vozes e corpos na semana de manifestações históricas que aconteciam Brasil afora. Chegamos lá com os cartazes: "Escolas e hospitais padrão fifa!", "O líder é a multidão!" e "Eles dizem representação, nós dizemos experimentação!". 

Camila Lua, super parceria, foi com a gente e fez, inclusive, um belo vídeo da Tati nas ruas rumo ao Congresso. Confira abaixo:


E com vocês, as palavras do Diego Rodrigues em um vídeo-desabafo que não poderia ter título melhor: "a dança da dúvida":


"Godô Chegô" está vindo aí!

Ou será que não?
Claro que vem, ele sempre vem!
Quando?
O quê?
Godô!
Chegô?

Enquanto ele não vem, a gente faz uns parênteses pra relembrar as referências parafraseadas, paraboleadas e paraplegiadas do nosso espetáculo!



ESPERANDO GODOT, de Samuel Beckett 


Samuel Becket é um dramaturgo irlandês do teatro do Absurdo. Suas obras se preocupam sempre mais com a condição humana num sentido metafísico do que como uma criatura político-social. Seus personagens, sempre desamparados, são usualmente isolados no tempo e no espaço: eles torturam e consolam a si-mesmos e aos outros, levantam questões que não podem ser respondidas e lutam num mundo que parece estar se desintegrando à sua volta. Na verdade, as personagens de Becket geralmente parecem ser jogadas num mundo que já sofreu a ruína do desastre e no qual a existência da humanidade está em questão. Provavelmente, mais do que qualquer outro escritor, Becket expressou as dúvidas do pós-guerra sobre a capacidade do homem de entender e controlar seu mundo. Esperando Godot narra a história de dois homens, Vladimir e Estragon, que entre peripécias, aborrecimentos mútuos e reflexões filosófico-melancólicas, aguardam a chegada de um misterioso nome - Godot. A espera é extremamente monótona, e as personagens se valem de uma inação para atravessar o tempo, até que chegam Pozzo e Lucky. Há uma clara relação de poder entre esses dois úiltimos personagens - sendo Pozzo o lado dominante, e Lucky o dominado - que, após algum tempo, acabam sendo envolvidos pela atmosfera de inação, até irem embora, recolocando os protagonistas na situação inicial da peça; situação esta que só é interrompida pela chegada de um mensageiro - o Menino - que informa que Godot não virá naquele dia. Vladimir e Estragon vão embora, mas não sem antes combinarem o retorno àquele mesmo ponto no dia seguinte, pois o Menino informa que Godot virá no dia seguinte sem falta. No dia seguinte (2o ato), a situação se repete com poucas mudanças, sendo talvez a mais relevante delas a entrada de Pozzo e Lucky. Pozzo, agora cego, é conduzido por Lucky numa clara inversão de poder. De resto, segue como no primeiro ato, inclusive com a chegada do Menino que anuncia que Godot não virá, e com Vladimir e Estragon combinando um retorno para o dia seguinte. A peça retrata a trágica posição do homem num universo vazio, universo este que se tiver alguma significação, permanecerá sempre oculta de todos nós. Em última instância ela dramatiza um estado mental, a realidade psicológica, a “sensação” da emoção da expectativa não realizada.

Você pode baixar e ler a peça completa aqui: http://oficinadeteatro.com/component/jdownloads/view.download/5/53


VESTIDO DE NOIVA, de Nelson Rodrigues 


Som de buzinas, carros, movimento. Alaíde é atropelada na rua por um automóvel que foge sem prestar socorro. Levada ao hospital em estado de choque, é submetida a uma operação de urgência. A imprensa divulga notícias sobre o acidente e o estado da vítima. Alaíde não agüenta e morre.

Esta é apenas uma das dimensões da peça. Junto com esta história, que corresponde ao plano da realidade, coexistem os planos da alucinação e da memória. E são esses últimos que povoam o palco. A realidade serve, na verdade, apenas para nos dar as bases cronológicas da história.

O plano da memória mostra os antecedentes do desastre automobilístico que matou Alaíde. Pedro, namorado de Lúcia, acaba se casando com Alaíde, irmã dela. É depois de uma violenta discussão com a irmã, motivada por problemas conjugais, que Alaíde sai para a rua desgovernada e acaba sendo atropelada. O conflito central da peça, apesar de escondido pela complexidade do texto, é justamente este triângulo amoroso entre Alaíde, sua irmã Lúcia e Pedro.

O plano da alucinação é o mais complexo de todos. É nele que Alaíde projeta suas fantasias, principalmente ao contar a história de Madame Clessi, mundana assassinada pelo amante de dezessete anos. Neste plano, Alaíde se identifica com a vida movimentada e desregrada da "madame" - mulher que, na realidade, a protagonista conheceu através de um diário deixado pela cocotte antes de morrer.