"Godô Chegô" está vindo aí!

Ou será que não?
Claro que vem, ele sempre vem!
Quando?
O quê?
Godô!
Chegô?

Enquanto ele não vem, a gente faz uns parênteses pra relembrar as referências parafraseadas, paraboleadas e paraplegiadas do nosso espetáculo!



ESPERANDO GODOT, de Samuel Beckett 


Samuel Becket é um dramaturgo irlandês do teatro do Absurdo. Suas obras se preocupam sempre mais com a condição humana num sentido metafísico do que como uma criatura político-social. Seus personagens, sempre desamparados, são usualmente isolados no tempo e no espaço: eles torturam e consolam a si-mesmos e aos outros, levantam questões que não podem ser respondidas e lutam num mundo que parece estar se desintegrando à sua volta. Na verdade, as personagens de Becket geralmente parecem ser jogadas num mundo que já sofreu a ruína do desastre e no qual a existência da humanidade está em questão. Provavelmente, mais do que qualquer outro escritor, Becket expressou as dúvidas do pós-guerra sobre a capacidade do homem de entender e controlar seu mundo. Esperando Godot narra a história de dois homens, Vladimir e Estragon, que entre peripécias, aborrecimentos mútuos e reflexões filosófico-melancólicas, aguardam a chegada de um misterioso nome - Godot. A espera é extremamente monótona, e as personagens se valem de uma inação para atravessar o tempo, até que chegam Pozzo e Lucky. Há uma clara relação de poder entre esses dois úiltimos personagens - sendo Pozzo o lado dominante, e Lucky o dominado - que, após algum tempo, acabam sendo envolvidos pela atmosfera de inação, até irem embora, recolocando os protagonistas na situação inicial da peça; situação esta que só é interrompida pela chegada de um mensageiro - o Menino - que informa que Godot não virá naquele dia. Vladimir e Estragon vão embora, mas não sem antes combinarem o retorno àquele mesmo ponto no dia seguinte, pois o Menino informa que Godot virá no dia seguinte sem falta. No dia seguinte (2o ato), a situação se repete com poucas mudanças, sendo talvez a mais relevante delas a entrada de Pozzo e Lucky. Pozzo, agora cego, é conduzido por Lucky numa clara inversão de poder. De resto, segue como no primeiro ato, inclusive com a chegada do Menino que anuncia que Godot não virá, e com Vladimir e Estragon combinando um retorno para o dia seguinte. A peça retrata a trágica posição do homem num universo vazio, universo este que se tiver alguma significação, permanecerá sempre oculta de todos nós. Em última instância ela dramatiza um estado mental, a realidade psicológica, a “sensação” da emoção da expectativa não realizada.

Você pode baixar e ler a peça completa aqui: http://oficinadeteatro.com/component/jdownloads/view.download/5/53


VESTIDO DE NOIVA, de Nelson Rodrigues 


Som de buzinas, carros, movimento. Alaíde é atropelada na rua por um automóvel que foge sem prestar socorro. Levada ao hospital em estado de choque, é submetida a uma operação de urgência. A imprensa divulga notícias sobre o acidente e o estado da vítima. Alaíde não agüenta e morre.

Esta é apenas uma das dimensões da peça. Junto com esta história, que corresponde ao plano da realidade, coexistem os planos da alucinação e da memória. E são esses últimos que povoam o palco. A realidade serve, na verdade, apenas para nos dar as bases cronológicas da história.

O plano da memória mostra os antecedentes do desastre automobilístico que matou Alaíde. Pedro, namorado de Lúcia, acaba se casando com Alaíde, irmã dela. É depois de uma violenta discussão com a irmã, motivada por problemas conjugais, que Alaíde sai para a rua desgovernada e acaba sendo atropelada. O conflito central da peça, apesar de escondido pela complexidade do texto, é justamente este triângulo amoroso entre Alaíde, sua irmã Lúcia e Pedro.

O plano da alucinação é o mais complexo de todos. É nele que Alaíde projeta suas fantasias, principalmente ao contar a história de Madame Clessi, mundana assassinada pelo amante de dezessete anos. Neste plano, Alaíde se identifica com a vida movimentada e desregrada da "madame" - mulher que, na realidade, a protagonista conheceu através de um diário deixado pela cocotte antes de morrer.